segunda-feira, 3 de outubro de 2005

mas o que é bip?



- Bip? Mas o que é bip?
Eu e a Luciana, minha filha, estávamos no consultório da médica. A pediatra dos meus filhos, depois de tantos anos ficou minha amiga, e eu ainda levo os meus filhos (já não tão crianças) lá quando eles tem algum probleminha.
Ela consultando, eu fazendo aquele monte de pergunta. Não adianta, os meninos já estão adolescentes e eu ainda me comporto como mãe de recém nascidos. Faço milhões de perguntas repetidas, não presto atenção nas respostas, um vexame. Uma hora, conversa vai, conversa vem, ela encerrou o assunto.
- Bom, é isso. Qualquer coisa me chame no final de semana, lúcia.
Foi quando eu me lembrei. A última vez que eu liguei para um médico durante a noite foi em 98, ou seja, sete anos atrás.
- Mas. Como é que te liga?
A médica estranhou.
- Ué. Telefona.
Explico. Desde que os meninos nasceram até 98, eu sempre liguei para um bip. Por um instante tive uma dúvida. Ainda existe bip no mundo?
- Ligar no... bip?
Ela caiu na gargalhada.
- Bip? Claro que não, né Lúcia! Há anos que eu tenho um celular só para pacientes. Se puder atendo na mesma hora. Senão você deixa um recado.
Foi quando a Luciana nos interrompeu.
- Mas o que é bip?
Eu e médica nos olhamos, confusas. A quantidade de vezes que eu liguei para bips por causa da Luciana foi enorme, e ela vem perguntar o que é?
A médica explicou, paciente.
- Nani, era um aparelhinho que a gente usava antigamente para os pacientes acharem os médicos. Não tinha celular quando você nasceu.
- Como funcionava?
- Facílimo. Era um aparelhinho pequeno que a gente carregava aqui, no cinto, que quando era chamado apitava. Se você queria falar comigo, ligava na central do bip, deixava seu recado e telefone com a moça. A moça da central me bipava, e eu lia no bip o recado. Daí eu tinha que achar um telefone e ligava para você. Eu andava com um monte de fichas de telefone.
A Luciana ficou boquiaberta.
- Que zona. E isso era “facílimo”?
Eu e ela nos olhamos e começamos a rir. Realmente, pensando bem, era uma coisa para lá de complicada, que envolvia telefonemas, apitos, uma atendente, uma central, orelhões, fichas. Praticamente um telégrafo antigo.
Mas a maluquice maior é que faz muito pouco tempo, mas muito pouco mesmo, que os bips todos praticamente sumiram do mundo. E o mais maluco de tudo é que, nesses sete anos, nem percebemos.
O homem, na verdade, precisa se comunicar. Cada novidade inventada que acelera e facilita qualquer comunicação é imediatamente aceita. Vem de lá de trás, dos primórdios da civilização, essa necessidade de interagir.
E é como a Cláudia, da Gruta da Montanha, disse nos comentários do post abaixo.
- ... e a próxima geração vai dizer algo como: mas vó, messenger é coisa antiga, o lance agora é falar ao vivo. E vai ser uma revolução!

3 comentários:

Link disse...

ÉH, se passaram mais 7 anos, totalizando uns 14 anos...
Realmente, MSN acabou, agora a moda é falar no SKYPE^^
E futuramente será holograma, pode apostar! :p

Anônimo disse...

Amoda agora jaé falar via facebook o mensagem de celular mesmo quer dizer smart fone

Anônimo disse...

meu pai, na acominas em ouro branco/mg andava com um bip, q so mostrava um numero de tel qd disparava....tinha um barulho altissimo e irritante.....ra um marromzinho e os numeros em display vermelho...e eu eachava o maximo...